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'A situação do Cartoon, na Imprensa em Portugal e no Mundo'
Debate a fechar a Cartoon Xira
Foi animado e participado o debate sobre “A situação do Cartoon, na Imprensa em Portugal e no Mundo”, organizado no dia 31 de maio, a fechar a edição deste ano da Cartoon Xira, no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira.
O painel de oradores incluiu os cartoonistas António Antunes (curador da iniciativa), André Carrilho e Cristina Sampaio, e também o escritor Rui Cardoso Martins e o jornalista Joaquim Vieira.
Numa referência a João Abel Manta, recentemente falecido, e ao seu contributo para a história recente do desenho português, Joaquim Vieira defendeu que se espera de um cartoon que “seja crítico e que com humor possa trazer acutilância” à análise dos temas mediáticos.
O escritor Rui Cardoso Martins, que entre outros projetos de humor integrou a equipa do programa televisivo Contra-Informação, levantou questões como quão livres conseguem os cartoonistas ser em regimes que não o são e “se uma imagem valeria mais que mil palavras”.
Cristina Sampaio, cartoonista do jornal Público, considerou que o cartoon pode ser visto como contrapoder, mas que na realidade vem sentindo uma certa descrença na atividade, defendendo que “o cartoonista deve manter a chama acesa”. Foi abordada a polémica com um trabalho seu relacionado com um cartoon recente sobre um episódio de violência racial pela polícia francesa, que foi lido pela polícia portuguesas como uma crítica à atuação das autoridades nacionais. Preocupa-a a “iliteracia da imagem”, pois é preciso ter um código partilhado de referências para se entenderem as camadas das mensagens do cartoon.
A propósito da decisão do New York Times de deixar de publicar cartoons políticos como consequência de um cartoon de António, de 2019, a propósito do primeiro mandato de Trump e o seu relacionamento com o Primeiro-Ministro israelita Netanyahu, o cartoonista André Carrilho partilhou a sua experiência de trabalho com Diretores de Arte de Imprensa estrangeira, explicando que “em temas sensíveis hoje é necessário calibrar tanto a caricatura como o desenho, pois é como se estivéssemos num campo de minas”. Nesse sentido, acrescentou, sente “o cartoon editorial e livre a ir abandonando a imprensa escrita de referência”, enquanto as redes sociais são um campo distinto e mais agressivo, pois o que gera negócio é a interação, mesmo que baseada na inquietação e revolta.
Por seu lado, António Antunes, organizador do evento juntamente com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, aludiu a uma recente polémica local sobre as imagens de cariz partidário escolhidas para a mostra deste ano, rematando que “há vozes que não chegam ao céu”. O cartoonista lamenta, criticando a pouca atenção dada pela Comunicação Social no geral, que a Cartoon Xira não seja tão divulgada como entende que o evento merece, com algumas exceções, pois “esta é uma boa exposição de cartoons em qualquer lugar e que deve ser uma referência a nível regional.”
No encerramento do debate, em representação do Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, o adjunto Henrique Cruz dos Santos deixou uma nota positiva a propósito da relevância do evento, afirmando que “não há no País estádio que pudesse receber o total de visitantes que já passaram pela Cartoon Xira no conjunto das edições”.
A 27ª edição da Cartoon Xira decorreu entre 7 de Março e 31 de Maio, apresentando trabalhos de cerca de uma dezena de cartoonistas nacionais sobre diferentes temas de 2025, e com a participação da artista espanhola convidada Maria Picassó.