European Innovation Scoreboard 2026
Foi recentemente publicado pela Comissão Europeia o European Innovation Scoreboard 2026 (EIS 2026), relatório anual que compara o desempenho dos Estados-Membros, e de outros países europeus, em investigação e inovação. A par desta edição, foi também divulgado o Country Profile Portugal, documento que detalha a posição nacional, os principais progressos, os pontos fortes e os desafios do ecossistema português de inovação.
De acordo com o perfil de Portugal, o país alcançou 93,2% da média da União Europeia (UE) no índice síntese de inovação e ocupa a 15.ª posição entre os Estados-Membros.
O EIS classifica os países em quatro grupos, de acordo com a sua pontuação face à média da UE:
- Líderes em inovação | desempenho superior a 125% da média da UE;
- Inovadores fortes | entre 100% e 125% da média da UE;
- Inovadores moderados | Entre 70% e 100% da média da UE;
- Inovadores emergentes | Abaixo de 70% da média da UE.
Com 93,2%, Portugal integra o grupo dos Inovadores Moderados, posicionando-se acima da média deste grupo, que corresponde a 86,4% da média europeia. O país está a menos de sete pontos percentuais do limiar de 100% que permitiria integrar o grupo dos Inovadores Fortes.
Desde 2019, o índice português de inovação avançou 13 pontos percentuais, acima do crescimento registado pela UE no mesmo período (+11,6 p.p.). Entre 2025 e 2026, Portugal subiu 1,4 pontos percentuais, confirmando uma trajetória globalmente positiva.
Para as empresas, os dados mostram um contexto com indicadores relevantes: Portugal lidera a UE no apoio público direto e indireto à I&D empresarial, apresenta bons resultados nas copublicações de entidades públicas e privadas e ocupa o 4.º lugar europeu nas vendas de inovações “novas para o mercado” e Inovações “novas para a empresa”. A digitalização é igualmente uma área favorável, com Portugal na 8.ª posição da UE. O país também se destaca na eficiência ambiental ocupando o 6.º lugar da UE em produtividade de CO₂ baseada na produção. Isto significa que a economia nacional gera significativamente mais valor económico por cada unidade de carbono emitida do que a média europeia, refletindo o sucesso estratégico na transição para fontes de energia mais limpas.
Persistem, no entanto, desafios que condicionam o desempenho. O investimento empresarial em inovação continua abaixo da média europeia: Portugal surge em 21.º lugar e em 23.º na despesa em inovação por pessoa empregada. A adoção de serviços avançados de cloud computing mantém-se limitada, colocando o país também na 23.ª posição.
A capacidade de transformar conhecimento em ativos valorizáveis no mercado também requer necessidade de melhoria. Portugal ocupa o 20.º lugar em ativos intelectuais, influenciado pelo desempenho em pedidos de patentes PCT e em registos de desenhos e modelos. Nas exportações de serviços intensivos em conhecimento, encontra-se na 24.ª posição, o que evidencia a necessidade de acelerar a internacionalização de soluções de maior valor acrescentado.
O principal desafio para as empresas portuguesas passa por converter apoio público, capacidade científica, colaboração com o sistema de investigação e dinâmica inovadora das PME em mais investimento privado, propriedade intelectual, produtividade e presença internacional.
Documentos para consulta: