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Exposição “Cheias de 1967” faz retrospetiva histórica e presta homenagem às vítimas do Concelho de Vila Franca de Xira

Exposição “Cheias de 1967” faz retrospetiva histórica e presta homenagem às vítimas do Concelho de Vila Franca de Xira
06 Novembro 2019

Com o Alto Patrocínio do Presidente da República, inaugura a 30 de novembro


A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, através do seu Museu Municipal, apresenta uma importante Exposição dedicada às Cheias de 1967, que tem curadoria de Joaquim Letria, um dos jornalistas que à época esteve presente nos locais da catástrofe. A inauguração terá lugar dia 30 de novembro (Sábado), pelas 17h00, no Celeiro da Patriarcal, em Vila Franca de Xira.

A Exposição “Cheias de 1967” mereceu o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República e pretende contribuir para um melhor conhecimento da realidade política e social da Região naquela época, bem como dos acontecimentos que marcaram para sempre a História do nosso País. Será também uma oportunidade para a Autarquia Vila-franquense prestar a justa homenagem a todas as vítimas desta tragédia, em particular as do Lugar das Quintas, na Castanheira do Ribatejo, Alverca do Ribatejo e Alhandra, localidades do Município de Vila Franca de Xira que foram então particularmente atingidas.

Este é assim o resultado de um trabalho cuidado de investigação documental e de recolha de testemunhos de muitos residentes locais que irão partilhar as suas histórias e dos seus familiares, no contexto daquele que foi o pior desastre natural em Portugal, depois do terramoto de 1755. Associam-se também a este projeto diversas entidades (RTP, Fundação Calouste Gulbenkian, OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, Cruz Vermelha Portuguesa (Arquivo Histórico-Cultural), Agência Portuguesa do Ambiente, Arquivo da Defesa Nacional), através da cedência de vídeos e outros elementos documentais que se constituem como importantes contributos para a preservação da memória relativamente a estas ocorrências históricas.

Esta Exposição, de entrada livre, estará patente até 05 de abril de 2020.

 

Maria João Luís interpreta “Ermelinda do Rio”


Integrado na Exposição “Cheias de 1967”, também no dia 30 de novembro pelas 21h30, no Ateneu Artístico Vilafranquense (Vila Franca de Xira) é apresentado o Espetáculo de Teatro “Ermelinda do Rio”, pelo Teatro da Terra. Da autoria de João Monge, o espetáculo tem encenação e interpretação de Maria João Luís. “Ermelinda do Rio” é um “noturno para voz e concertina”, um poema narrativo" que se confronta com a dimensão da tragédia, através dos olhos de uma menina e de sua mãe, que sobrevivem, impotentes, ao desaparecimento da família e de amigos. Refira-se que a realidade das cheias de 1967 foi vivida pela própria Maria João Luís, que tinha 4 anos à data da catástrofe, quando morava, com a mãe e o irmão, numa zona alta de Alhandra, o que aliás determinou a sua sobrevivência.

O espetáculo é de entrada livre, limitada à lotação do espaço.

 

Sobre as Cheias de 1967


Na noite de 25 para 26 de Novembro de 1967, de Cascais a Alenquer, passando por Oeiras, Lisboa, Odivelas, Loures, Alhandra, Alverca, Vila Franca de Xira e Castanheira do Ribatejo, a chuva chegou a atingir os 170 litros por metro quadrado. Em toda a região da Grande Lisboa, a média ultrapassou os 100 litros. Foram cheias rápidas: o Tejo e os afluentes subiram três a quatro metros em poucas horas.

Morreram centenas de pessoas — o Estado Novo falou em 462 mortos, os jornalistas Pedro Alvim, Joaquim Letria e Fernando Assis Pacheco contaram perto de 700.

O Estado foi incapaz de dar o apoio adequado às vítimas. Ocorreu então uma mobilização da sociedade civil, nomeadamente de estudantes e de associações católicas. Recorda Mariano Gago: "... com as cheias de 1967 e com a participação na movimentação dos estudantes de Lisboa no apoio às populações (morreram centenas de pessoas na área de Lisboa e isso era proibido dizer-se). Só as Associações de Estudantes e a Juventude Universitária Católica é que estavam no terreno a ajudar as pessoas a tirar a lama, a salvar-lhes os pertences, juntamente com alguns raros corpos de bombeiros e militares. Talvez isso, tenha sido um dos primeiros momentos de mobilização política da minha geração." (Fonte: Wikipédia)