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Inventário de Estruturas de Água
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Fonte de Mártir Santo
DESIGNAÇÃO: FONTE DE MÁRTIR SANTO
ou Fonte de S. Sebastião.
LOCALIZAÇÃO:
DISTRITO: Lisboa;
CONCELHO: Vila Franca de Xira; Vila Franca de Xira.
ACESSO: Rua Direita ou Rua Dr. Miguel Bombarda.
ENQUADRAMENTO: Embutida no muro situado atrás da Igreja do Mártir Santo, colocando-a à beira da Rua Dr. Miguel Bombarda praticamente em cima do passeio. O resto da sua envolvente é marcada por prédios habitacionais de traça genérica.
DESCRIÇÃO: Algumas alusões mais antigas caracterizavam a fonte como de origem árabe, atualmente olhando para a fonte não se vislumbra qualquer característica dessa época. Em obras feitas no século XX terá sido alvo de aplicação de marmorite num primeiro registo que envolve a fonte. A cor da caiação que se consegue ver por baixo da tinta branca que lhe foi aplicada é um ocre.
UTILIZAÇÃO INICIAL: Abastecimento de água à população.
UTILIZAÇÃO ATUAL: Marco Histórico e Cultural.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO 2025: Estado de conservação mau. A estrutura possui algumas micro colonizações biológicas. A pintura está desgastada e possui algumas manchas negras. O tanque está com fissuras estruturais e a água esta a vazar pelas mesmas. Por onde escorre a água a pedra está totalmente coberta por uma mancha escurecida. O piso está totalmente molhado pela água que vaza.
PROPRIEDADE: Público Estatal.
TIPOLOGIA: Fontanário.
CARACTERÍSTICAS PARTICULARES: A fonte de Mártir Santo possui uma galeria que tem cerca de 30 m de extensão e pouca água.
BIBLIOGRAFIA: AMARAL, João José M. F. Silva, “Memória sobre a lapide junto à fonte de S. Sebastião em Villa Franca de Xira”, in Revista Universal Lisbonense, pp.175-178.
Boletim da Comissão de Fiscalização das Águas de Lisboa, Ministério das Obras Públicas, Número Comemorativo do XL Aniversário da Revolução Nacional, Lisboa, n.º 46, IV série, 1965.
DOCUMENTAÇÃO ADMINISTRATIVA: A H CMVFX, Caixa M/A 001, Acção de Obras Municipais, “Preservação da Fonte existente junto à Capela de Mártir Santo” , 18 e 20 de junho de 1944.
A H CMVFX, Caixa M/A 001, Acção de Obras Municipais, “Preservação da Fonte existente junto à Capela de Mártir Santo”, 14 de dezembro de 1973, 1973/1974.
A H CMVFX, Caixa M/A 001, Acção de Obras Municipais, “Preservação da Fonte existente junto à Capela de Mártir Santo”, 25 de março de 1974, 1973/1974.
A H CMVFX, Caixa 13, Livro de actas n.º 7, Acta de Reunião Ordinária de 28 de janeiro de 1947, Vol. 1946 – 1948, fol. 43 verso.
A H CMVFX, Caixa 16, Livro de Actas n.º. 15, Acta de Reunião Ordinária de 27 de abril de 1954, Vol. 9-2-1954 a 30–6-1954, fols. 118 verso e 119.
A H CMVFX, Caixa 16, Livro de Actas n.º 17, Acta de Reunião Ordinária de 11 de janeiro de 1955, Vol. 1954
- 1955, fol. 36 verso.
A H CMVFX, Caixa 17, Livro de Actas n.º 19, Acta de Reunião Ordinária de 10 de abril de 1956, Vol. 1955 - 1956, fol. 166.
A H CMVFX, Caixa 17, Livro de Actas n.º 18, Acta de Reunião Ordinária de 12 de fevereiro de 1957, Vol. 2-1- 1957 a 23-7-1957, fol. 40 verso.
A H CMVFX, Caixa 1 do Arquivo Intermédio, Livro de Actas n.º 31, Acta de Reunião Ordinária de 27 de fevereiro de 1962, Vol. 1961 – 1962, fol. 145.
A H CMVFX, Caixa 8 do Arquivo Intermédio, Livro de Actas n.º 50, Acta de Reunião Ordinária de 13 de novembro de 1973, Vol. 15-5-1973 a 27-12-1973, fols. 166 verso e 167.
A H CMVFX, Caixa 8 do Arquivo Intermédio, Livro de Actas n.º 50, Acta de Reunião Ordinária de 20 de novembro de 1973, Vol. 15-5-1973 a 27-12-1973, fol. 177 verso.
A H CMVFX, Caixa 8 do Arquivo Intermédio, Livro de Actas n.º 51, Acta de Reunião Ordinária de 8 de janeiro de 1974, Vol. 27-12-1973 a 30-5-1974, fol. 6 verso.
A H CMVFX, Caixa 8 do Arquivo Intermédio, Livro de Actas n.º 51, Acta de Reunião Ordinária de 2 de abril de 1974, Vol. 27-12-1973 a 30-5-1974, fol. 112 verso.
A H CMVFX, Caixa 8 do Arquivo Intermédio, Livro de Actas n.º 51, Acta de Reunião Ordinária de 9 de abril de 1974, Vol. 27-12-1973 a 30-5-1974, fol. 122 verso.
A H CMVFX, Caixa 8 do Arquivo Intermédio, Livro de Actas n.º 51, Acta de Reunião Ordinária de 16 de abril de 1974, Vol. 27-12-1973 a 30-5-1974, fol. 131 verso.
A H CMVFX, Caixa 8 do Arquivo Intermédio, Livro de Actas n.º 51, Acta de Reunião Ordinária de 30 de abril de 1974, Vol. 27-12-1973 a 30-5-1974, fol. 153 verso.
A H CMVFX, Caixa 1, Relatório de Gerência 1948. A H CMVFX, Caixa 1, Relatório de Gerência 1951. A H CMVFX, Caixa 1, Relatório de Gerência 1953.
A H CMVFX, Caixa 1, Relatório de Gerência 1954, p. 64
INTERVENÇÃO REALIZADA: CMVFX/ 1944 – Reparação da pequena fonte situada junto à Capela de S. Sebastião.
A Câmara pretendia abrir um vão de porta para serventia da respectiva sacristia no terreno da mesma fonte, fechando o vão da porta ali existente por desnecessário, tanto mais que a mina da fonte era sempre reparada e limpa pela Câmara.
CMVFX/1946 – Reparação e caiação dos muros do Adro, da frontaria da Fonte e da Capela de S. Sebastião pela quantia de 1.280$00.
CMVFX/1947 – Reparação e caiação da Fonte, dos muros do adro, frontaria e Capela de Mártir Santo por 1.480$00 – Relatório de Gerência de 1948.
CMVFX/1951 – Reparação e caiação dos muros do Adro, Fonte e Capela de S. Sebastião por 1.602$00. CMVFX/1953 – Reparação dos muros do Adro, Fonte e Capela de S. Sebastião por 1.693$30.
CMVFX/1954 – Reparação dos muros do Adro, Fonte e Capela de S. Sebastião por 1.688$70.
Pagamento de 82$50 a Antero Ferreira & Filhos de 3 sacos de cimento, para reparação dos muros do Adro, Capela e Fonte do Mártir Santo.
CMVFX/1955 – Reparação e caiação dos muros do Adro, Capela e Fonte do Mártir Santo, no total de 1700$00. CMVFX/1956 – Pagamento de 59$00 a D. Antero Ferreira e Filhos Lda., de materiais e utensílios para reparação e caiação dos muros do Adro, Capela e fonte do Mártir Santo, nesta vila.
CMVFX/1957 – Aprovação para execução imediata do orçamento da obra de “Reparação e caiação dos Muros do Adro, Capela e Fonte do Mártir Santo” nesta vila na importância de 1700$00.
CMVFX/1962 Fevereiro – Reparação e caiação da Fonte do Mártir Santo, da capela e muros do Adro. CMVFX/1973 – Estudo realizado pela S.A.U. (Secção de Arquitectura e Urbanismo) do enquadramento urbanístico para esta fonte, que, com as obras de construção de prédios ao lado, ficara isolada no meio da rua.
CMVFX/Março 1974 – Colocação de um tapume provisório.
CMVFX/ S.A.U/1974 – De forma a preservação a fonte sem desvirtuar o carácter que envolve a referida fonte, a única solução encontrada foi estar construída em alvenaria e não se proceder ao seu deslocamento já que não seria economicamente fiável a sua desmontagem, por essa razão construiu-se uma parede que se pensou valorizar com um painel central de azulejo, alusivo à vida do Santo. Este projecto nunca terá sido executado.
OBSERVAÇÕES:
“Memória sobre a lápide junto à fonte de S. Sebastião em Villa Franca de Xira.
(...)
Todas as nações louvam e engrandecem tudo quanto as enobrecia; só nossos antepassados tanto se descuidaram de rnemorisar as grandezas e excellencias, que muito os afamava, á posteridade, e solo em que viviam. O esquecimento reprehensivel ainda continúa, até deixando-se extinguir monumentos de gloria nacional.
No fim desta Vila Franca de Xira sobre a estrada real que se dirige á Villa de Povos se edificou ermida votiva a S. Sebastião, e contígua a ella existe pequena fonte, e de mesquinho nascimento; seu risco simples, antigo, respira gosto mourisco nas ameias formadas sobre a parede, da mesma fonte. Naquella, ao lado direito desta, se observa uma lapide, que para os amadores da nossa archeologia não deixa de ser interessante, e digna de se rnemorisar, supposto que não apreciada, bem como outras muitas antiguidades do nosso paiz abandonadas, e votadas ao esquecimento. e á consumidora acção do tempo; não havendo quem pela penna as faça viver e eternisar.
A lapide observada excita tres recordações; a primeira relativa á arte dos brazões, no que respeita as armas reaes; a segunda conserva a rnemoria de quaes fossem as armas desta Villa, que a distinguiam das outras deste reino, pois todas as gozam precipuas e especiaes, e com ellas se estremam e diferençam as villas e cidades umas das outras; e na sua conservação zelosa visto que sempre nas mesmas se gravarn geroglificos de factos honrosos para as povoações a que pertencem: eguaes effeitos experimentam as familias nobres com os seus brazões: e com tão uteis se inventaram.
A terceira lembra a dadiva de um pontifice afervorando a devoção de S. Sebastião no peito de um nosso rei, que é por ora na serie delles o unico daquelle nome.
Em quanto á primeira salie-se que no escudo das armas reaes dos reis de Portugal na superior deIle assentava uma coroa floreteada, e do meio da mesma sabia cabeça e alguma porção do corpo de uma serpente com as azas abertas fora da circumferencia della: tanto na pintura dellas, como na sua gravura o feitio é o mesmo até o reinado de el-rei D. Sebastião, que tirou a serpe e fechou a coroa com os arcos. Esta mudança importante constitue épocha notavel em tal objecto como dissemos; e a lapide assim o confira. Observem-se os castellos do escudo no feitio peculiar, o qual é egual ao dos castellos das armas reaes dos marcos, que estremavam o Reguengo de Alemquer dos termos das villas circumvisinhas, as quaes ainda existem e mostram o mesmo desenho, e esculptur; mui antiga.
Porque desde D. Affonso III o primeiro que orlou o escudo com dez-castellos até D. João V, ultimo que usou dos dez-castellos, em todo encontrei o mesmo buril, não encontrado a minima differença no longo espaço de oito successivos reinados, nos subredictos castellos; goza a lapide mais desta singularidade, assimilhando-se aos typos antigos, que excitam recordações de gloria para os portuguezes, zelosos de nossos brazões que as perpetuam.
Os marcos que apontei, e que existem bem conservado merecem attenção aos archeologistas nacionaes em quanto fixam ao certo a épocha, na qual o escudo das armas reaes recebeu reforma diminuindo-se- lhe na sua orla tres castellos, reduzindo o seu numero a sete: diminuição feita por el-rei D. João II: logo a demarcação do Reguengo de Alemquer daquelle reinado e conta de idade pouco mais ou menos trezentos e sessenta e dois annos, e os que vão decorrendo que maior ancianidade Ihe conferem.
A historia nos ensina que D. João II ordenando casa a seu primo D. Manuel, duque de Beja e Vizeu, lhe dera por empreza a esphera armillar da qual D. Manuel nunca se esquecera ainda subindo ao throno, e muito a prezou; estima esta que multiplicou o uso da esphera neste reino, com especialidade nas obras publicas daquelle reinado, nas quaes eIla se gravava.
No cimo do pelourinho desta VilIa uma esphera armillar de ferro é o seu remate, o que ainda hoje vemos; sobre a porta principal da egreja, freguezia da Villa de Povos, aos lados do escudo das armas reaes duas avultadas espheras armillares de pedra se observam: o lavor da pedraria da porta é do gosto de mil quinhentos. Tom da moda, e lisonja muitas coisas entre os homens vulgarisam.
Se o terremoto do 1755 não estragasse, o cartorio desta camara, de certo se elucidaria a lapide de um modo tal que o escripto se não suspeitasse süpposições em logar de demonstrações evidentes de factos; todavia este reparo não me intimida para que deite de expôr da lapide o que entender.
Reputo-a o brazão das armas desta villa, composto da esfera armillar, escudo das armas reaes, torre, e seta, faltando nelle a collocação dos mesmos objectos segundo as regras da armaria; o que se obteria se competentemente se requeresse; falta esta proveniente do descuido de nossos avós que não quizeram uma chancella privativa aberta em bronze para sellar os papeis publicos do julgado, e se contentaram com o valha sem sello. ex causa; descuido que ainda permanece com tantos meios de se emendar, facto este que absolve de censura a nossos antepassados.
A lapide é obra do tempo de D. Sebastião: pois que na esfera se recorda o seculo do oiro de seu bisavô tanto em armas como em litteratura; na seta o remedio que aplacara a peste que devastava Portugal, rogando-se a intervenção do martyr S. Sebastião para com Deos offendido se apiedar do poo deste reino.
Em gratidão, por ordem regia, se edificaram Igrejas ao dito Santo nos fins das villas e em dias determinados, áquellas se dirigem procissões ou para: perpetuarem a memoria dos beneficios recebidos, ou para de novo implorar sua valiosa proteção, se as epidemias se repelirem.
Na estrada publica desta Villa para o logar da dos Bispos ha um local, o qual de immemoravel tempo sempre se appellida (ainda hoje) a Torre, e como a estrada o divide, e corta pelo meio se diz; Torre de cima a que fica ao oeste, e Torre de baixo a leste, sem serem dois terrenos differentes, sim o mesmo e unico denominado a Torre; que é hoje plantado. de ambos os lados.
Quando se abriram as mantas para a plantação do bacello, vestigios de edificios urbanos se encontraram os quaes não estimularam a ninguem para profundar as mantas, que talvez abrissem caminho para observações archeologicas de interesse para os sabios: porém não são do gosto geral pela falta de instrução deste ramo ciêntifico a que se applicam só excepções especiaes e particulares; o que corroborará o seguinte acontecimento.
Em 1807 a camara desta villa mandou concertar a dita estrada visto a sua ruina com o transito; alargando- se a mesma estrada perto da Torre de cima e cortando-se para esse fim um comoro, que a obstruia. Ao derriba-lo. apareceu um vaso de barro tapado com um tijolo; o que visto por aquelle operario, e por outros ao seu lado, todos cubiçosos de um só o possuir, e cahindo todos sobre elle, o quebraram, o que foi uma perda para a sciencia: no chão se entornaram grande porção de moedas romanas de differentes épocas, a maioria dellas do baixo imperio. No mesmo vaso se guardava um anel do oiro que engastava um camafeu, aonde se gravara um corço fugindo a um cão que o acoçava, a sua feição era quadrilonga na dimensão de uma polegada com oito linhas de largura; e nos quatro angulos do quadrilongo o oiro do engaste sobressaia com quatro minimos globos. Segundo os costumes romanos o anel pertencia ao cavaIleiro romano, e dellas se servia pará selIar fechando as suas cartas assim como nós usamos servindo-nos de (sic) proprios.
Por esta occasião do aparecimento do vaso e tijollo que o tapava, um magistrado que servira de juiz de fora em Cliaves, vendo o tijolo disse, que igualava (sic) se assemelhava com os tijollos que ainda aparcem nas ruinas dos edificios romanos, naquella villa existentes. De tudo isto com bastante fundamento se acreditará de que alli povoação romana existira corn Torre que a cobrisse de inyasão de inimigos, segundo a tactica defensiva daquelles tempos; e suposto não apareça Torre, nem vestigios della, com tudo o seu nome se perpetua até ao presente no dito local e em outros monumentos, um na lapide, e o outro no marco divisorio entre o termo de VilIa Franca de Xira, e o termo da Villa de Povos.
Remettendo-se a seta de Roma em 8 de Novembro de 1573 não chegaria a Portugal se não nos princi pios de 1574; até a morte de el-rei D. Sebastião decorrem com pouca diferença quatro annos não completos neste intervallo, pois se assentou na dita parede a lapide, e nesta se não gravaria a seta se não estivesse ja recebida; sobre o tempo, não resta duvida alguma: e delle tiramos uma inferencia que nos convém.
Nesta época já lembraria a antiga recordação da (sic) a qual pela sua anterioridade, já mencionada, posterior existencia da villa, merecia que se gravasse na lapide a par dos emblemas de factos de recente data, como a esphera armilar, a corôa fechada, e a seta: não se olvidando por este, aquelle que reputavam de maior gloria para a povoação, sendo elle o brazão, que a um tempo a distinguia das outras povoações; provando que antes desta villa, não longe do seu actual solo os romanos edificaram cidade segundo os vestigios coIhidos, e tradicção conservada até ao presente.
Villa Franca de Xira, confinando com a Villa do Povos, para se estremar desta levantou um marco sobre a estrada real desta Villa para a de Povos no anno de 1597, dezanove annos talvez depois da lapide assente na parede onde ainda se vê. No marco de pedra pouco polida, se gravou a torre, como a sua planta a offerece; e condiz com a esculpida na lapide.
Sendo aquelle marco o divisorio dos dois termos esta Villa, ou a camara do município, designou-o com o signal mais benorifico e authentico, qual o brazão com que sellaria todos os actos os mais solemnes de sua administração economica e municipal; e bem assim a auctoridade judicial outro tanto observaria em suas sentenças, a-haver chancella estabelecida e gravada eis a prerogativa do brazão, o testemunho de credebilidade e certeza aos actos a que se junta ou depende.
Parece-me que sem erro posso affirmar ser a torre o emblema originario do brazão d’armas desta vilIa, onde talvez, ao fundo a mesma nas margens do Tejo, existissem vestigios não equivocos da torre, apezar o terreno o occuparem depois dos romanos os godos, e arabes, que o Ievaram uns aos outros pela conquista que quasi sempre destroe e devasta.
O pensamento de quem mandou lavrar a lapide foi engenhoso e fecundo; pois em tão abreviado espaço com um só geroglifico, a esphera armillar, bistoria o reinado opulento e felicissimo de D. Manuel: – na corôa fechada, e seta, os notáveis factos do tempo do rei; que se diz morrera na abrazadora Africa; – e na torre não esqueceu da remota antiguidade tradicional, que enobrecia a Villa, e a distinguia das outras povoações deste reino.
Concluindo a lapide considere-se energica (ainda que muda) historia de tudo quanto transcripto fica; e se alguem o contrario entender o escreva, o por tal guiza instrua os seus similhantes a quem o saber agradar. FaIIando-se em medalhas romanas, e anel, a curiosidade deseja saber mais algumas particularidades a respeito deste objecto; direi o que souber.
Em 1807 o reverendo Luiz Duarte Villela, egresso dos Carmelitas Calçados, como vigario regio da freguezia de Nossa Senhora da Purificação, do logar da Caxoeira, mui litterato, e grande amador de nossas antiguidades, frequentava esta villa, e fui o primeiro que observou as medalhas escolhendo as mais antigas, e comprou por 1200 réis o anel ao trabalhador que o possuia, adquirindo-o na lucta que teve com os outros trabalhadores seus companheiros.
O reverendo Villela examinando as medalhas, classificou-as, e escreveu erudita e scientifica memoria que enviou á Academia Real das Sciencias de Lisboa, esta a recebeu e premiou com uma medalha de bronze, segundo o apreço que della fez.
O mesmo reverendo Villela, ofereceu o anel a um amador da nossa patria, e de suas antiguidades, o Exm.º Fr. Manuel do Cenaculo, arcebispo d’Evora, eximio prelado, eruditissimo sabio.
Bem poucos julgadores sabem, e menos cumprem a Iei de 20 de Agosto de 1721, que tanto recommenda a guarda, e conservação de cipos incripções, medalhas antigas dos povos que habitaram este reino, e faz egual recommendação ás camaras que imitam o mesmo descuido, e negligencia na adquisição e conservação dos objectos indicados, e deixam de os remetter á academia como lhes cumpre.”19
Preservação da Fonte existente junto à Capela do Martir Santo (...)
«Preservação da Fonte junto à capela do Martir Santo, em Vila Franca – O Senhor vereador ponderou a conveniência de a S.A.U. estudar um enquadramento urbanistico para esta Fonte, que com as obras de construção de novos prédios ao lado, ficou isolada no meio da rua. Deliberado em conformidade”.20
AUTOR E DATA: Vanessa Amaral – 2004.
ATUALIZAÇÃO E REVISÃO: Maria João Martinho, Catarina Simão e Daniel Bernardes - 2025.