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Inventário de Estruturas de Água
- Chafariz do Alegrete
Chafariz do Alegrete
DESIGNAÇÃO: CHAFARIZ DO ALEGRETE
Ou Antigo Chafariz do Alegrete.
LOCALIZAÇÃO:
DISTRITO: Lisboa;
CONCELHO: Vila Franca de Xira; Vila Franca de Xira.
ACESSO: Largo do Cerradinho, actual Largo Carlos Pato. Junto à EN 248.
ENQUADRAMENTO: Adossado a uma parede no Largo Carlo Pato, na junção da Rua Octávio Pato com a EN 248.
Atrás de si situa-se a antiga Construtora de Vila Franca e à sua frente prédios residenciais comuns com um Minipreço.
DESCRIÇÃO: Antes de ser mudado para o Largo do Cerradinho era abastecido pela “boa água das Quintas da Mata, das Torres e do Paraíso, que corria em abundância, das suas duas bicas, e onde no seu largo tanque se dessentavam os animais.
(...)
Sobre o escudo nacional do Chafariz do Alegrete via-se a coroa real, artisticamente executada na pedra, símbolo da soberania que provém da primeira hora da fundação da Nacionalidade por El Rei D. Afonso Henriques.”28
UTILIZAÇÃO INICIAL: Abastecimento de água a população
UTILIZAÇÃO ATUAL: Abastecimento de água a população
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Tendo em conta que tem colocadas duas torneiras que só são abertas quando há necessidade, o tanque fronteiro está completamente vazio, não tem água e isso obviamente condiciona o estado de conservação da estrutura, não sendo de admirar o escurecimento da pedra, a formação de manchas negras. A própria bacia está algo suja. A pedra talvez necessitasse de uma limpeza pontual mas pode-se considerar o estado de conservação desta fonte como boa. Tem ainda a necessidade de reconstituição do emolduramento do remate da frontaria, mas tendo em conta a intenção de colocar este chafariz num outro local, pensa-se ser inoportuna qualquer intervenção anterior à sua colocação definitiva.
ESTADO DE CONSERVAÇÃO 2025: Estado de Conservação é excelente. Possui algumas manchas de micro colonizações biológicas, mas são poucas.
PROPRIEDADE: Pública Municipal/ Estatal.
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO: 1797 (durante a Regência de D. João VI).
ARQUITETO/CONSTRUTOR/ AUTOR: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, de acordo com a lápide que está sobre as bicas.29
TIPOLOGIA: Chafariz.
MATERIAIS: Pedra.
BIBLIOGRAFIA: AMARAL, João José Ferreira da Silva, Ofertas Históricas Relativas à Povoação de Vila Franca de Xira para Instrução dos Vindouros, Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Vol. I, 1991, pp. 46 a 51.
Biblioteca Municipal VFX, Mensageiro do Ribatejo, ano III, n.º 120, 20 de maio 1932, Vol. 1932-1933. BMVFX, Mensageiro do Ribatejo, ano III, n.º 131, 4 de agosto 1932, Vol. 1932-1933.
BMVFX, Mensageiro do Ribatejo, ano III, n.º 135, 25 de agosto 1932, Vol. 1932-1933. BMVFX, Mensageiro do Ribatejo, ano IV, n.º 176, 3 de junho 1933, Vol. 1932-1933. BMVFX, Mensageiro do Ribatejo, ano IV, n.º 177, 10 de junho 1933, Vol. 1932-1933. BMVFX, Mensageiro do Ribatejo, ano IV, n.º 188, 26 de agosto 1933, Vol. 1932-1933.
BMVFX, Mensageiro do Ribatejo, ano V, n.º 218, 17 de março 1934. BMVFX, O Ribatejo, ano II, n.º 93, 31 outubro 1937, Vol. 1936/1937.
BMVFX, Vida Ribatejana, ano XVI, n.º 487, 3 de abril de 1932, Vol.1931-1933. BMVFX, Vida Ribatejana, ano XVI, n.º493, 14 de maio de 1932, Vol.1931-1933. BMVFX, Vida Ribatejana, ano XVI, n.º 499, 26 de junho de 1932, Vol.1931-1933. BMVFX, Vida Ribatejana, ano XXI, n.º 763/765, 3 de outubro 1937, Vol. 1936-1938.
BMVFX, Vida Ribatejana, ano XXXI, n.º 1367/1369, 4 de outubro de 1947, Vol.1946-1947. BMVFX, Vida Ribatejana, ano XXXVII, n.º 1751/54, 3 de outubro de 1953, Vol.1952-1953 BMVFX, Vida Ribatejana, ano XXXVII, n.º 1762, 14 de novembro de 1953, Vol.1952-1953 BMVFX, Vida Ribatejana, ano XXXVIII, número especial, ano de 1954, Vol. VII.
BMVFX, Vida Ribatejana, ano XXXVIII, número especial, ano de 1955, Vol. VII, p. 23. BMVFX, Vida Ribatejana, ano 52º, n.º 2590, 3 de agosto de 1968, Vol.1968-1969.
BMVFX, Vida Ribatejana, ano 80º, n.º 3937, 22 de outubro de 1997, Vol. 1997. BMVFX, Vida Ribatejana, 20 de agosto de 2003, p. 16.
CAMACHO, Clara Frayão, RAMALHO, João Alves, Vila Franca de Xira – Olhares da Memória, CMVFX, Edições Inapa, 1998.
DOCUMENTAÇÃO FOTOGRÁFICA: Fotografia da inauguração oficial do velho “Chafariz do Alegrete” restaurado e colocado no Largo do Cerradinho – A H CMVFX, Caixa1, Relatório de Gerência 1954, p. 2.
Fotografia do Chafariz do Alegrete no Largo Pedro Vítor no ano de 1900 - no Livro Olhares da Memória.30 Fotografia do Chafariz do Alegrete na Rua do Alegrete, com as casas já demolidas, que se presume ser posterior a 1932/34. – “Vila Franca de Xira no princípio do século”, Dossier Exposição.
DOCUMENTAÇÃO ADMINISTRATIVA: Arquivo Histórico CMVFX, Caixa 14, Livro de Actas n.º 10, Acta de Reunião Ordinária de 23 de janeiro de 1951, Vol. 1950 – 1951, fol. 26 verso.
A H CMVFX, Caixa 14, Livro de Actas n.º 11, Acta de Reunião Ordinária de 10 de outubro de 1951, Vol.1951- 1952, fols. 42 e 42 verso.
A H CMVFX, Caixa 15, Livro de Actas n.º. 12, Acta de Reunião Ordinária de 1 de setembro de 1952, Vol. 24- 3-1952 a 4–12-1952, fol. 129.
A H CMVFX, Caixa 15, Livro de Actas n.º 12, Acta de Reunião Ordinária de 29 de setembro de 1952, Vol. 24–3- 1952 a 4-12-1952, fol. 148 verso.
A H CMVFX, Caixa 15, Livro de Actas n.º 14, Acta de Reunião Ordinária de 15 de junho de 1953, Vol. 1953 – 1954, fol. 6.
A H CMVFX, Caixa 15, Livro de Actas n.º 14, Acta de Reunião Ordinária de 28 de julho de 1953, Vol. 1953 – 1954, fol. 21.
A H CMVFX, Caixa 15, Livro de Actas n.º 14, Acta de Reunião Ordinária de 20 de agosto de 1953, Vol. 1953 – 1954, fol. 39.
A H CMVFX, Caixa 15, Livro de Actas n.º. 14, Acta de Reunião Ordinária de 15 de setembro de 1953, Vol. 1953 – 1954, fol. 55 verso.
A H CMVFX, Caixa 15, Livro de Actas n.º 14, Acta de Reunião Ordinária de 13 de outubro de 1953, Vol.1953 – 1954, fol. 80 verso.
A H CMVFX, Caixa 15, Livros de Actas n.º14, Acta de Reunião Ordinária de 27 de outubro de 1953, Vol.1953 – 1954, fol.184 verso.
A H CMVFX, Caixa 16, Livro de Actas n.º 16, Acta de Reunião de 19 de outubro de 1954, Vol. 30-6-1954 a 21- 12-1954, fol.127.
A H CMVFX, Caixa 1, Relatório de Gerência 1952. A H CMVFX, Caixa 1, Relatório de Gerência 1953.
A H CMVFX, Caixa 1, Relatório da Gerência 1954, pp. 22 e 62.
A H CMVFX, Caixa MA 001, Secção de Obras Municipais, Restauração do Antigo Chafariz do Alegrete, 1952, 1943/1968.
A H CMVFX, Caixa MA 001, Secção de Obras Municipais, Restauração do Antigo Chafariz do Alegrete, Oficio n.º 1 341 da Junta Autónoma de Estradas, 4 de dezembro de 1953, 1943/1968.
A H CMVFX, Caixa MA 001, Secção de Obras Municipais, Reparação dos elementos estruturais do Chafariz do Alegrete em Vila Franca de Xira, 11 junho 1968, 1943/1968.
A H CMVFX, Caixa MA 001, Secção de Obras Municipais, Restauração do Antigo Chafariz do Alegrete, 20 de julho de 1953, 1943/1968.
A H CMVFX, Caixa MA 001, Secção de Obras Municipais, Restauração do Antigo Chafariz do Alegrete, 29 de julho de 1953, 1943/1968.
A H CMVFX, Caixa MA 001, Secção de Obras Municipais, Restauração do Antigo Chafariz do Alegrete, 3 de novembro de 1953, 1943/1968.
INTERVENÇÃO REALIZADA: CMVFX/1797 – Construção do Chafariz do Alegrete.
CMVFX/1934 – Com o desenvolvimento e urbanização da Vila, verificaram-se melhoramentos no Largo Pedro Vítor e a demolição do antigo Chafariz, o qual foi substituído pela Fonte do Alegrete.
CMVFX/1952 – Restauro do antigo Chafariz do Alegrete (1ª fase), pelo valor de 7.000$00. Obra adjudicada a Henrique Gaspar.
CMVFX/1952 – Processo de transferência do chafariz que se encontrava desmantelado para o Largo do Cerradinho (atual Rua Carlos Pato) e recuperação da zona envolvente (embelezamento e empedramento em tubos de granito, e construção dos respetivos passeios).
CMVFX/1952 – Aquisição de cantarias para reconstituição do antigo Chafariz do Alegrete tendo sido igualmente refeito o escudo nacional com a coroa real, que tinha sido destruída em 1910 com a implementação da República.
CMVFX/setembro de 1952 – Restauro do Antigo Chafariz do Alegrete, no total de 15.000$00. Possivelmente este valor corresponde ao total dos gastos feitos no ano de 1952.
CMVFX/julho/Outubro 1953 – Permissão e cedência para encostar o Chafariz do Alegrete à parede do prédio, pertença do Sr. António Nunes da Franca e situado no Largo do Cerradinho nº10.
CMVFX/1953 – Restauro do Antigo Chafariz do Alegrete por 3.200$00.
CMVFX/setembro/Dezembro 1953 – Pedido de autorização para proceder à reconstrução do antigo chafariz, à Junta Autónoma de Estradas; e pagamento de 10$00, para pagamento dos emolumentos de estrada do requerimento e uma estampilha fiscal de 5$00 para selagem do respetivo diploma de licença.
CMVFX/1953 – Reconstrução do Chafariz e colocação do mesmo no Largo do Cerradinho, procedeu-se ainda ao arranjo do referido Largo, “de forma a harmonizar-se com a existência ali de tão interessante monumento que, assim, continuará a transmitir a sua impressão de beleza e a falar à alma dos vilafranquenses”31, pela quantia de 35.403$00.
CMVFX/1954 – Conclusão da colocação do Chafariz do Alegrete no Largo do Cerradinho. CMVFX/1954 – Inauguração a 17 de julho de 1954 do Chafariz do Alegrete no Largo do Cerradinho.
CMVFX/outubro de 1954 – Pagamento de 1.255$60 ao Martin dos Reis por motivo da Inauguração do Pelourinho e Chafariz do Alegrete, durante as festas.
CMVFX/1968 – Devido à danificação – pela ação do tempo – dos elementos estruturais do Chafariz do Alegrete, procedeu-se à sua reparação para a substituição de todo o forro existente, em pedra ruivina. Trabalho efetuado pelo canteiro Sr. Abílio Fonseca pelo valor de 6.986$00.
OBSERVAÇÕES: Não perdendo o Chafariz do Alegrete como referência, vamos recuar um pouco na História. Pressupõe-se ter sido construído no reinado de El rei D. João III um “pelourinho e um Chafariz no meio da Praça. (...) tendo este uma bacia circular, suspensa sobre uma coluna. Pelo âmago da mesma bacia passava a água em repuxo, caindo na cavidade daquela, onde havia quatro bicas de bronze que a lançavam sobre o tanque. (...) das bicas se abastecia a população em quartas de barro ou em barris de pau. De verão a água diminuía ou secava totalmente.”32
O Chafariz da Praça, deve ter sido demolido, para dar lugar a outro delineado pelos dois Técnicos de Obras Públicas e cavalheiros da Casa de El Rei D. João III, Ruy de França e Pero Correia.
Sendo Juiz de Fora, em Vila Franca de Xira, o bacharel João Lobato Quinteiro Barroso, verificou a inconveniência daquele chafariz no local: já que obstruía a passagem, e enlameava o caminho. Para evitar estes inconvenientes transferiram o Chafariz para o cimo da Rua do Alegrete, mais tarde Rua 5 de Outubro e actual Rua Luís de Camões.
Não se sabe ao certo em que ano se tomou esta iniciativa de se mudar o chafariz da praça para o largo no topo da Rua do Alegrete (Largo Pedro Vítor?).
Nenhum dos chafarizes referidos corresponderá ao actual Chafariz do Alegrete, mas talvez tenha dado origem à designação de “Chafariz do Alegrete”. O actual terá sido construído em 1797 no Largo Pedro Vitor, ainda dentro do processo de reconstrução da Vila, após o terramoto de 1755.
Em 1910, é destruída a coroa real do chafariz do Alegrete.
“Sobre o escudo nacional do chafariz do Alegrete via-se a coroa real, artisticamente executada na pedra, símbolo da soberania que provém da primeira hora da fundação da Nacionalidade por EI-Rei D. Afonso Henriques.
No dia 5 de Outubro de 1910 os díscolos ferozmente a destruiram, como a outras e artísticas coroas, também em pedra, que se viam nos pórticos da Misericórdia e de edifícios públicos. A que figurava sobre o escudo do chafariz do Alegrete foi partida a martelada! Nós vimos cometer este acto miserável. A coroa estava ainda, em parte, coberta com o crepe já quase desfeito e desbotado pelo tempo, que lhe foi colocado em sinal de luto pelo assassínio de El-Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luiz Filipe.
Assim criminosamente, se desfez aquela formosa obra de arte representativa da realeza que, durante oito séculos, construiu a nossa Pátria lhe deu a independência, a glória pelo mundo em fora e, também a liberdade.
Seria cruel e a obra ficaria incompleta se a coroa não voltasse a encimar o escudo que, na nossa querida bandeira, foi a todos os continentes levar, em ilustres cometimentos, a soberania portuguesa.
Vai reconstituir-se o chafariz do Alegrete com as mesmas pedras e com outras que substituirão as que se perderam ou foram destruídas. Entre essas pedras novas mais uma completaria o chafariz tal qual como os nossos antepassados o mandaram executar. Assim esperamos que se faça.”33
Em 1934, no âmbito do desenvolvimento e urbanização da Vila, com os melhoramentos do Largo Pedro Vitor (demolição de um grupo de casas; transformação do arruamento de forma a ser transitável pelos veículos), e após grandes discussões, foi decidida a demolição do antigo chafariz, que se pensava oportunamente colocar em frente à Praça de Touros, e construiu-se um novo chafariz (mais pequeno) para o largo.
“O Chafariz do Alegrete
Do nosso ilustre amigo, Sr. Marquês do Lavradio, recebemos a seguinte carta:
...Srs. Directores da «Vida Ribatejana»:
Ouvi há dias a notícia da possível deslocação do chafariz de Vila Franca do logar onde actualmente se encontra.
Sem de forma alguma pretender arvorar-me em homem de arte, parece-me que a mudança não é de modo a realçar o lindo chafariz.
Passando tantas vezes por Vila Franca, nunca havia nele reparado. A primeira vez porém, que o vi, sem o montão de casas que o não deixavam sobressair, improssionou-me de tal forma que parei para examinar, e parece-me ser uma obra de arte digna de figurar completamente isolada.
A actual Comissão Administrativa de Vila Franca deve o concelho tantos melhoramentos que desnecessário é inumerá-los, e creiam que, se deixar ficar o chafariz no local em que actualmente se encontra, isolado de todas as construções que o abafavam, será mais um título de gloria a acrescentar á sua boa administração. Se a minha humilde opinião poder servir para alguma coisa, farão os meus amigos uso dela, se não servir para nada, deitem esta para o cesto dos papeis velhos sem que para isso eu deixe de ser.
Sempre am.º, at.º ven.or Marquês do Lavradio.”34
“O Chafariz do Alegrete
Sr. Director do Mensageiro do Ribatejo
Permita V. que tome um pouco do espaço do seu jornal, para, sem pretensões a homem d’arte, dizer o pouco que me ocorre a propósito dum chafariz de Vila Franca.
Será o caso da localização, arrecadação ou demolição do referido chafariz um caso de tão grande interesse urbano que merêça como tal a primazia duma discussão entre a élite espiritual de Vila Franca?
Merecerá a pena depois de cometidos tantos e continuados barbarismos de ordem estética e urbana, com o aplauso dessa mesma élite, discutir o caso da sorte do chafariz?
E se o mesmo é de facto merecedôr de discussão, qual o tema sôbre que a realizaremos? Embelezamento duma praça publica ou o embelezamento dum chafariz?
No primeiro dos casos, há que afastar decididamente o trambôlho para outro lugar menos em evidência, onde possa ficar encostado a qualquer venerando muro. Só encostado, pois que para isso foi concebido. (...) o chafariz do Alegrete não pode nem deve ficar onde está; não pode porque não foi concebido para tal, e não se presta a uma adaptação razoável; porque é um elemento de ornamentação de superfície, e não uma obra ornamental de valôr decorativo absoluto; porque não tem grandeza e beleza que justifique a sua existência no local onde actualmente se encontra, e ainda é empecilho a todo e qualquer projecto de embelezamento da mesma praça.
Antero Ferreira”35 “Chafariz do Alegrete
Por negociações havidas entre a Câmara Municipal e a Junta Autónoma das Estradas, passou a rua do Município a fazer parte da estrada de Arruda a Vila Franca em vez da rua do Açougue como até aqui sucedia. Com o alinhamento da rua do Município que há-de ser feito por aquela Junta – o que já vai tardando – verifica-se entre esta rua e a do Açougue um espaço de oito ou dez metros que enfrentam o Largo Comendador Esguelha.
Seria êsse espaço, a nosso vêr, o local mais apropriado para a colocação do antigo chafariz do Alegrete servido pela água que corre na pequena fonte ali existente.
O velho chafariz não deve continuar em montão de pedras soltas, sugeitas a perderem-se e a quebrarem- se, como aconteceu ao antigo pelourinho, pois que dele disse o ilustre director do Museu de Arte Antiga Dr. José Figueiredo: «Não se trata propriamente de um monumento, mas é uma obra da época pombalina que merece e deve ser conservada».36
“Frente da praça de toiros e o antigo chafariz do Alegrete.
(...) O leitor imagine ali a meia-laranja, tendo ao fundo, o antigo chafariz do Alegrete, agora arremessado para um canto das arrecadações municipais, cuja demolição tanta celeuma causou – e com justificada razão – entre o povo desta vila.
A meia-laranja serviria para desobstruir o trânsito, para dar realce ao edifício da praça de toiros e para esta coisa, não menos útil, de se abastecer de água a população daquela parte da vila, no antigo chafariz do Alegrete, elegante nas suas linhas nobres, traçadas em boa pedra – do qual o erudito arqueólogo e professor sr. dr. Luiz Chaves disse, há tempos nestas colunas:
«Poucos chafarizes, sem a grandiosidade das obras de arte, podem encantar-nos como êste. Na solidez da sua fábrica, êle tem graciosidade. A feição decorativa faz dele um exemplo de interessante arquitectura no género. Eu não hesitaria em classificar êsse chafariz de monumento nacional: ele é alguma coisa de nobre para a arte municipal.».” 37
No plano de actividade da Câmara para 1953 foi incluída a abertura de uma Rotunda ao lado da Praça de Toiros de Vila Franca de Xira, onde seria colocado o Chafariz do Alegrete. Após um estudo concluíram, que esse projecto não era aconselhável, já que se tornaria necessário construir uma parede de suporte nos terrenos ali existentes, que seria bastante dispendiosa – 100 contos. Restituíram e reergueram o chafariz no Largo do Cerradinho e recuperaram o próprio Largo pela quantia de 35.403$30;
Entretanto, e embora a ideia me não pertença, quero concretizar em proposta, que apresento hoje, a necessidade imperiosa que à Câmara assiste de facilitar o transito em frente da entrada principal da praça de Touros para o que bastaria adquirir por compra ou expropriar uma pequena parcela do terreno ali existente, de forma a permitir que ali se fizesse uma rotunda, (...)
E, como complemento dessa obra tão urgente, parece-nos de aplaudir o pensamento que já surgiu em tempos, de ali colocar como constituindo o «pano de fundo» dessa rotunda, o velho chafariz do Alegrete que o camartelo municipal sacrificou a favor do desenvolvimento urbanistico desta vila e cujas pedras – velhas de muitos anos – ainda existem em depósito na abegoaria da Câmara.
(...)
...o mesmo serviria a população, abastecendo-a de água, (...)
Nestas condições, espero que V. Ex.ª dê execução a esta proposta, visto o melhoramento a que ela se refere já estar incluído no plano de actividades para o próximo ano (...)
Pelo Excelentíssimo Presidente foi dito que a proposta do Senhor Dr. Vidal Baptista vinha precisamente ao encontro dos seus desejos e que por isso, com enorme prazer ele dava a sua aprovação e procuraria promover o que fosse necessário para a executar, no que foi secundado pelos Senhores restantes vereadores presentes.”38
“Em relação com a questão do chafariz que se pretende reconstruir, já tive ocasião de expôr a V.ª Ex.ª e ao Exm.º Sr. Dr. Vidal Baptista, que ao assunto tanto interesse tem dedicado, o que me parece poder-se fazer. A construção deste chafariz junto á praça de touros não pode servir de pretexto a um alargamento que facilitasse o transito senão á custa de trabalhos carissimos que não são de considerar. A simples construção, limitando-nos a um alargamento minimo imposto pela Junta das Estradas, ainda seria muito cara, creio que da ordem dos 100 contos.
Lembrei por isso a reconstrução do chafariz no logar em que se encontra hoje um outro chafariz, muito pobre; Isto teria as seguintes vantagens:
a) Diminuição do custo da obra.
b) Substituição de um chafariz impróprio da Vila.
c) Não se criar um encargo novo permanente para a Câmara com o fornecimento de água a um novo chafariz.
Neste sentido lembrei em tempos ao Exm.º Sr. Dr. Vidal Batista que mandasse proceder no local á implantação do chafariz, para se ver o espaço que ocuparia, e se seria viavel a ideia. Instruções foram dadas então ao encarregado de obras para esse trabalho. Como até agora nada se tenha feito, venho lembrar a Vª. Exª. o estado da questão, para que Vª Exª possa tomar uma resolução sobre o assunto.
O Exmº. Sr. Dr. Vidal Batista certamente se recorda da conversa que no local a que me refiro tivemos sobre o caso, e poderá com as suas informações completar aquelas a que aqui me refiro.
Aguardo as indicações que Vª Exª queira dar-me, e peço a Vª Exª que me creia sempre seu. (...)
Simões Crespo” 39
Decidiram assim, que se colocaria o antigo Chafariz do Alegrete no Largo do Cerradinho, em Vila Franca de Xira. (Actual Rua Carlos Pato), substituindo um outro mais pobre que se encontrava lá perto, na Rua Miguel Esguelha – o chafariz do Tosse.
“Exmº. Sr. António Nunes da Franca (...)
Pretendendo a Câmara Municipal da minha presidência, em execução do respectivo plano de actividades para o corrente ano, proceder à reposição do antigo chafariz do Alegrete, venho solicitar de V.Exª. a respectiva permissão para encostar o referido chafariz ao prédio que serve de garage, situado no Largo do Cerradinho, n.º10, nesta Vila, e que é propriedade de V.Exª.
Com a minha pretensão não resultam quaisquer prejuizos para V. Exª. e, antes pelo contrário, desde que o chafariz ali possa ser colocado, é desejo desta Câmara mandar embelezar o referido Largo, empedrando-o convenientemente e fazer os competentes passeios...”
“Exmº. Sr. Engº. Director de Estradas do Distrito de Lisboa
Desejando esta Câmara proceder à reconstrução do antigo chafariz do Alegrete no Largo do Cerradinho e proceder ainda ao arranjo do mesmo Largo cujo pavimento ficará com tubos de granito e no qual se incluirão passeios de vidraço, confinando este Largo com a E.N. que vai para a Arruda dos Vinhos, venho junto de V. Ex.ª pedir autorização para podermos executar o trabalho referido para o que juntamos uma planta do local.
(...)
O Presidente da Câmara José de Sousa Nazaré”41
“A 17 de Julho de 1954 foram festivamente inaugurados, pelo Sr. Dr. Mário Madeira, governador Civil de Lisboa, em Vila Franca de Xira, o Pelourinho e o Chafariz do Alegrete. O facto causou enorme alegria entre o povo, que se encontra grato á Câmara Municipal, da presidência do Sr. José de Sousa Nazareth, pela realização destas justas aspirações...”42
Notícias em 1997 de Chafariz bicentenário entregue ao esquecimento. Razoável estado de conservação, mas péssimo estado de higiene, limpeza.
AUTOR E DATA: Vanessa Amaral – 2004.
ATUALIZAÇÃO E REVISÃO: Maria João Martinho, Catarina Simão e Daniel Bernardes - 2025.